Grupo do senador tem dito a lideranças que ele votará a favor da PEC para evitar desgaste eleitoral
- Aliados e integrantes da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) sinalizam a lideranças empresariais que, caso eleito presidente, o senador pretende apoiar a revisão do fim da escala 6x1 - após dizer que votará favorável à proposta nesta quarta-feira, 14. O recado é enviado a pedido do próprio senador, relatam interlocutores ao Estadão/Broadcast.
Representante de entidade empresarial afirmou que a mensagem é que, caso Flávio Bolsonaro seja eleito, “garantiram” que vão rever tudo na 6x1. O aceno é feito a lideranças do setor produtivo que defendem ajustes na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera a jornada de trabalho e pedem modulação na proposta.
O grupo do senador tem dito aos empresários que ele votará a favor da PEC para evitar desgaste eleitoral, apurou a reportagem. Publicamente, o presidenciável não citou eventual revisão da medida.
A PEC voltou a ser discutida e deve ser votada ainda nesta quarta em dois turnos no Senado. Não há, entretanto, segundo as lideranças empresariais, detalhamento de como seria uma eventual revisão da escala. Senadores da oposição também dizem desconhecer qual seria a revisão possível.
A lideranças empresariais, senadores sinalizam que o foco em um segundo momento será mitigar os impactos aos setores.
Neste âmbito, discute-se a apreciação da PEC apresentada pelo líder da oposição no Senado e coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, Rogério Marinho (PL-RN), que propõe a criação de um regime de trabalho flexível baseado em remuneração por horas trabalhadas.
Algumas lideranças empresariais também criticaram, em grupos reservados de mensagens, mudança de posição do senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL). As ressalvas foram no sentido de que o presidenciável “não sustenta” suas posições.
Nesta terça-feira, 13, Flávio Bolsonaro, que até então classificava o fim da 6x1 como oportunismo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, anunciou que votará a favor da PEC que acaba com a escala de trabalho 6x1. O senador afirmou que a decisão foi tomada para atender “à maioria da população”.
Como mostrou o Estadão/Broadcast, após a mudança de posição do senador, a oposição se vê “sem saída” no Senado e deve votar a favor da aprovação da PEC.. Senadores relatam que, como Flávio Bolsonaro decidiu apoiar a PEC, a orientação da oposição é também votar sim para a mudança na jornada de trabalho.
Parlamentares aliados ao senador afirmam que o objetivo é tirar a pauta da frente e evitar desgaste eleitoral ao candidato, bem como que o seu adversário, o presidente Lula “capitalize” o tema nas urnas. Mas já sinalizam revisão da medida a partir de 2027, caso o senador seja eleito.
A proposta, bandeira eleitoral de Lula, terá sua quinta sessão de discussão nesta quarta-feira e pode ser votada em primeiro turno. Para ser aprovada, a PEC exige 49 votos em dois turnos de votação. Governistas tentam aprovar um calendário especial para concluir a votação nesta quarta-feira. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou que há votos necessários para acelerar a votação.
Alcolumbre diz que Senado concluirá votação da PEC da 6x1 nesta quarta
Presidente do Senado também afirmou que, se houver iniciativa do governo, plenário pode aprovar dois turnos da PEC da Segurança ainda hoje
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), disse que o plenário da Casa irá finalizar, nesta quarta-feira (14), a votação, em dois turnos, da PEC (proposta de emenda à Constituição) que acaba com a escala 6x1.
A jornalistas, o senador afirmou que irá votar a proposta em primeiro turno e, na sequência, colocará em votação o requerimento de calendário especial. Se aprovado, o segundo turno será votado em seguida.
Para aprovar uma emenda constitucional na Casa Alta, são necessários dois turnos de votação, com ao menos 49 votos favoráveis em cada um. A proposta já passou pelo crivo da Câmara dos Deputados, em maio deste ano. À época, a proposta foi aprovada por 472 votos a 22 no primeiro turno e por 461 votos a 19.
A transição para o fim da escala 6x1 só começará, porém, após a aprovação no Senado e sua promulgação pelo Congresso Nacional. Questionado, Alcolumbre disse que ainda não há data para promulgar a PEC.
Após essa etapa, a implementação ocorrerá em duas fases. A primeira terá início 60 dias após a promulgação do texto, garantindo dois dias de repouso remunerado por semana e reduzindo a jornada de trabalho de 44 para 42 horas semanais.
Depois de 14 meses (um ano e dois meses), a carga horária será oficialmente reduzida de 42 para 40 horas semanais, estabelecendo a escala 5x2.
PEC da Segurança
Ainda segundo Alcolumbre, se houver iniciativa do governo, também será votada a PEC da Segurança. Ambas as propostas são bandeiras eleitorais de Lula e estão paradas no Senado há meses. A proposta que fortalece o combate ao crime organizado foi aprovada na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) na manhã desta quarta.
O texto estabelece mudanças na organização da segurança pública, na divisão de competências entre os entes federativos, no sistema penitenciário e nas medidas de enfrentamento às organizações criminosas.
Enviada pelo governo federal ao Congresso em abril de 2025, a PEC foi aprovada pela Câmara dos Deputados em março de 2026. Se aprovada hoje em plenário, vai à promulgação.
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